In:

Recorte 59...Fugindo do Contexto

Hoje vou fugir um pouco do contexto, nada de textos, nada de versos, só um vazio que vem de tudo e de nada ao mesmo tempo, uma dor sem causa, um chorar sem podas. As delimitações dos meus pensamentos se tornaram finas linhas, eles vagam, eles se perdem e não se acham mais.

As costuras que prendem uma parte na outra para que nos tornemos alguém com um certo equilibrio, se soltam a minha volta, as linhas podres se arrebentam e desprendem os pedaços do que eu sou. Sinto as palavras fugindo de mim, elas falam, falam e falam, e na verdade a voz não sai.

Cada escolha parece um fracasso cada vez maior, eu louca insinuo um sorriso no espelho para mostrar que estou sobre controle...é um sorriso molhado de lágrimas de alguém que não sabe mais qual a razão. O mundo parece tão oco, as pessoas parecem tão falsas, eu pareço tão cruel...

In:

Recorte 58


Por Camila Muniz:


Se a verdade é falsa, procuro esqucê-la,

"Mentiras sinceras não me interessam."


Se na despedida a lágrima cai, procuro secá-la,

"Sorrir quando a dor te torturar e saudade atormentar os seus dias tristonhos, vazios."


Se as palavras machucam, procuro não ouví-las,

"Mas acredite, meu coração ainda sabe fingir."


Se o passado é presente, procuro um futuro onde a escolha seja eu, e ele não esteja mais,

"São as águas passadas, escolhe uma estrada, e não olhe pra trás."


Se os gestos de afeto me faltam, procuro tirar deles a importância que já tiveram,

"More than words to show you feel. That your love me is real."


Se os sentimentos já não fazem sentindo...

"Eu só digo a quem me pede que eu tenha um bom coração, que me dê uma razão."

In:

Recorte 57 - ...

É engraçado o quanto vamos nos tornando repetitivos, quero dizer tanto coisa...só que tudo sempre se reveste das mesmas palavras...não consigo escolher palavras novas e nem inventar palavras que posso significar o que quero dizer..


Por Camila Muniz:


Quando um coração bate a ponto de sentirmos que ele de fato existe,

a vida começa e termina nas variações em que sua força toca nosso peito.


E as palavras atravessam a boca, como quem atravessa um rio, e chegam aos lábios
já com sua significância deixada á margem, por que ela ja perdeu seu sentido , e é
preciso uma palavra maior. Uma que saiba escalar montahas, e que grite em tons... tão forte e
intensa como a batida de um coração.
Os versos se perdem antes de chegarem a rima, por que nada faz muito sentido, nada
tem muita razão, e quem por hipocrisia acha que manusear esse sentimento, esse batimento involuntário, se perde ao não achar sentindo no que se assemelha a esse nó revestido de gelo
no estômago, e que não se parece com ansiedade nem medo, ou talvez o seja...por que de certa
forma tem um "quê" de medo misturado a isso, um medo de tudo e nada...uma coragem de tudo e nada. Uma coragem assustadora...é como ser um pássaro que não sabe se sabe voar, mas sente que é só bater as asas e deixar que tudo se faça sozinho.

In:

Recorte 56...


Por Camila Muniz:


Eu não sei qual a minha função em ser pessoa,

Confundo-me em ser erro, sempre erro.

Nunca sou o que esperam de mim,

Espero que não esperem nada de mim.

Não posso criar meus proprios passos na musica,

Não posso apenas querer o que eu quero.

Tenho que querer o que os outros querem...tão estranho e tão normal.

So preciso de um copo de agua, então não me ofereça o mar.

So preciso de um pouco de ar, então não me ofereça o vento...por que ue so preciso respirar um pouco mais.

Então não me culpe por querer somente um abraço, era tudo o que eu esperava, era tudo o que eu precisava.

In:

Recorte 55


Eu volto a entender por que criança é mais feliz, por que criança sente tudo...criança pula a cerca
sem se preocupar com a dor, se por acaso o arrame nela se enroscar. Ela não tem medo por imaginar a dor,
ela simplismente pula e vê o que acontece...
Eu vou pular a cerca e vou ver o que acontece.




Por Camila Muniz:


E se tudo agora fizer um pouco mais de sentindo
e eu acreditar que posso mesmo ser feliz
Se eu disser que a lágrima agora vem do sorriso,
e que cada passo meu é guiado pelo coração
Por que agora o vendaval é brisa,
a tempestade é chuva pra dançar a dois
Se eu disser que a arma é desarmada por um riso, por um brilho
que nasce de piadas tortas, por um par de braços, que formam em um único
abraço tudo que eu quero ter.
O calor de um dia frio, é tudo que eu quero ser...
E se eu chegar a conclusão que nada mais tenho a oferecer além de um coração,
cartas sem sentindo, poemas sem contexto e também lábios secos...
Se eu confessar que junto a cada beijo oferecido por estes lábios agora húmidos,
entrego um pedaço do que tenho em mim...não sei se fel, se mel, se céu...
é algo assim, que faz de mim parte do outro a cada encontrar de bocas.
E eu tenho agora uma parte que é minha, que veio junto a um beijo que eu não esperava meu,
e que agora não quero que seja de mais ninguém...

In:

Recorte 54


Por Camila Muniz:


Podiam ser flores! É podiam ser flores esses traços
Busco um jardim entre uma palavra e outra, e a cada passo um espinho
Aquele que entra debaixo da unha...uma dor que fica....e fica chata e incômoda...
Sou uma exímia egoísta, não consigo sorrir se tudo dá errado pra mim...
Na verdade até consigo sorrir, o público agradece e o escuro me conforta.
Seguro as vezes um grito rôco...assim não ensurdeço àqueles que eu quero bem, que me querem bem.
Eu conto o tempo pro tempo acabar mais depressa...
Eu afasto quase sem querer os que eu quero perto...
Sou uma impetuosa inconformada...tudo parece tão banal...
Eu me sinto tão banal...

In:

recorte 53 -


Por Camila Muniz


Ë tudo é novo e vazio de novo...

a porta, a mesa, as janelas...não tem janelas!

não vejo o conforto de um sorriso amigo, tudo é tão instável...mecânico.

é como um primeiro dia de aula...

to tentando correr, to tentando pensar,mais o pensamento não vem...

Medo, acho que é medo!!!

O que é desejar? é desejar conseguir?...é desejar saber,? só saber o que quer desejar!!!

o sono é constante e exato, ele funciona quando não posso dormir...

essas palavras saltitando dos lábios da mente, corrente de pés presos...

o corpo duro que não se move..por que tem sempre alguém a olhar,

mesmo que não esteja olhando...